Mostrando postagens com marcador crônicas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador crônicas. Mostrar todas as postagens

30/10/2014

Sejam bem-vindos à Monalândia! [AS CRÔNICAS DE MONALÂNDIA - PARTE 1]

15 de Janeiro de 2130.

Monalândia é uma terra feliz. Foi o primeiro país LGBT do globo.

Monalândia foi fundada em 2014 com base na ideia de um vereador de um país chamado Brasil. A nação se desenvolveu numa ilha isolada do Oceano Atlântico. Doze casais gays e doze casais lésbicos foram enviados para lá para que a experiência proposta pelo vereador fosse aplicada.

A experiência era simples: consistia em isolar "pares" (pois segundo ele casal era só entre macho e fêmea) homossexuais na remota ilha e voltar depois de 80 anos. Segundo a teoria do vereador, não iria existir mais ninguém vivo. Um famoso filósofo da época tinha dito: "Aparelho excretor não reproduz!" e o idealizador da experiência acreditava fielmente nesse grande pensador do século XXI.

"Eu não estarei vivo quando a experiência chegar ao seu fim, mas o que importa é que o mundo terá a comprovação que GAYS não conseguem procriar e darem continuidade para a raça humana!". Tal frase dita pelo vereador na época aparece no vídeo mais acessado pelo HomoTube, "A Experiência da raça Hetero mais fracassada da História!".

O maior erro do vereador e que colaborou diretamente para o fracasso da experiência foi subestimar a inteligência dos homossexuais enviados para a ilha.

Ao chegar na ilha, os 48 homossexuais começaram a traçar um plano de sobrevivência.

Dos 24 gays, 20 eram graduados e das 24 lésbicas, 21. Haviam 5 formados em Engenharia Civil , 10 em Medicina, 4 em Veterinária, 4 também em Administração, 8 em Arquitetura, 3 em Química etc... A ilha fornecia frutas, riachos, uma grande variação de rochas, de árvores... Não demorou muito para aquele pequeno grupo LGBT traçar estratégias explorando toda aquela vasta paisagem. Passados quatro anos todos os casais já possuíam suas respectivas casas, formando o que deram o nome de Vila Santa Gaga. E que casas luxuosas eram aquelas! A força da união daquelas gays primatas e inteligentes foi algo magnífico. Quando adoeciam, os formados em medicina davam conta do recado em suas respectivas residências. Auxiliados pelos químicos e botânicos não demoraram para desenvolver uma gama de medicações, naturais ou não, de eficiência até maior do que os que eram desenvolvidos pelos héteros no restante no mundo. Como os homossexuais formados em medicina eram um tanto amargos, não se tardou para que se cansassem de bancar os anfitriões dos enfermos e se reuniram para construção do Saint Wyllys, o primeiro hospital de Monalândia.

Todavia, o momento mais importante da história de nosso país foi exatamente o que fuzilou a experiência do vereador: os casais, ao se sentirem solitários em seus devidos lares, começaram a desejar por filhos. A frase proferida pelo grande pensador martelavam na cabeça deles. "Órgão excretor não reproduz!" Mas havia uma esperança: os formados em medicina! E foram as 6 lésbicas e os 4 gays médicos que aplicaram o método de fertilização in Vitro. Todos os gays e lésbicas concordaram da doação de seus materiais reprodutivos. Os materiais não eram identificados para não ocorrer nenhum tipo de problema. A maioria das lésbicas também não viram problema em serem barrigas solidárias para os casais gays. 

Com o passar dos anos, a população de Monalândia foi crescendo, o que fez o vereador, que monitorava tudo por satélite, se suicidar devido o peso de fracasso e outros homossexuais e simpatizantes espalhados pelo mundo doarem tudo o que era possível para a população daquela nova nação.


E assim foi até que Monalândia se tornou um país como qualquer outra do primeiro mundo. Foram usados apenas 15 anos para que se tivessem casas, prédios, comércios, hospitais, carros...

Ah claro, surgiram organizações políticas, moeda, etc....

[Algo que ciência não explicou até hoje é que 90% dos que nascem em Monalândia, desde sua origem, são homossexuais. Uma lenda local diz se tratar de uma maldição jogada por um líder religioso brasileiro que sempre dizia em sua época: "filhos que são criados por gays, se tornam gays!". Assim, os heterossexuais eram minoria na Ilha, mas não deixavam de receber amor dos seus pais.]


País: Monalândia
População: 9.223.678 (segundo o IPBey - Instituto de Pesquisas Bey)
IDH: o mais elevado do mundo
Moeda: Gaga
Língua: Português e francês
Governo: Monarquia anarquista liberalíssima
Atual trono: Rei Kaio e Rei Thiago.
Série Clássica mais assistida: Glee, empatado com GoT.

Bandeira do país



Moeda oficial 


Agora que vocês conheceram Monalândia aguardem os próximos capítulos que contarão não só as maravilhas, mas também os problemas presentes em qualquer outra nação.


24/10/2014

[Crônica] O Homem Que Amava as Coisas

Roberto abriu a porta da sala que dá acesso ao abrigo e correu abraçar seu carro:

- Não vou deixar que ninguém faça um risquinho sequer em você, amor!

"Smack, Smack"

É um hábito dele dar dois beijos no carango antes de começar a guiá-lo.

Parado no semáforo, Roberto sacou seu smartphone e o trouxe até seu peito, apertando com força.

- O que eu seria sem você, parceiro?

"Smack, Smack"

Sim, os dois beijos também é um ritual que nosso amigo leva a sério para todos os seus amores.

Chegando ao serviço se deslocou até a cozinha e apertou o polegar da copeira. Dois minutos depois uma bela xícara de café fora entregue nas mãos de Roberto.

Chegando ao seu escritório, girou a orelha de sua auxiliar. Logo depois ela começou a emitir os relatórios que ele precisava.

Terminado o expediente, Roberto lembrou que era dia de fazer visita à mãe. 

"Smack, Smack"

Deu partida novamente eu seu grande amor e dirigiu até chegar no apartamento de sua velha senhora. Apertou a campainha e a porta se abriu. Roberto encarou sua mãe e foi direto ao sofá.

- Poxa! Esse sofá é uma maravilha. . . Valeu a pena cada centavo investido nele.

"Toc, Toc"

A senhora sabia que duas batidas no braço do sofá era sinal que Roberto estava faminto. 

Enquanto a mãe caminhava a cozinha, Roberto tirou seu smartphone do bolso.

"Smack, Smack"

- Sinto muito, companheiro. Lançaram um modelo novo e serei obrigado a trocá-lo. Meu coração está apertado por isso, mas você achará alguém que irá lhe tratar com o mesmo amor e carinho que sempre ofereci para ti...

Depois de dois minutos, a velha senhora apareceu com um lanche e um refrigerante.

- Esse lanche está com gosto estranho. A senhora ficou desregulada, hein? Acho que precisa passar um óleo em suas mãos. Quem sabe não volte a funcionar.

Não demorou muito para que Roberto voltasse ao seu carro.

"Smack, Smack"

Chegando em casa, dirigiu-se até sua televisão de 50 polegadas que havia adquirido há poucos dias.

"Smack, Smack"

- E aí, minha querida, como foi seu dia? Vejo que pegou uma poeirinha. Deixo pegar um paninho e dar um trato em você.

E a TV ficou novamente brilhante.

- Agora sim, amor!

Assistiu o telejornal com indiferença para com as notícias dos atentados que haviam matado milhares de pessoas naquele dia.

Quando viu, da sala, sua esposa deitada no quarto, Roberto falou para o amor de tantas polegadas:

- Vou te abandonar agora... Está na hora de brincar um pouquinho de prazer.

Roberto fitou pela última vez sua mais nova xodó e se locomoveu ao quarto para fazer o bom uso de sua esposa. Depois de chegar no ápice, deixou seu corpo cair no outro lado da cama e entrou em sono profundo.

Ao amanhecer do dia seguinte, Roberto acordou e foi logo ao banheiro. Ao se olhar no espelho levou uma baita susto. Aquele espelho caro estava com várias manchas de pasta de dente!

"Smack, Smack"

- É absurdo que eu tenha te ignorado por tanto tempo! Não serei mais ausente em tua vida!