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25/09/2014

Vote a favor da imoralidade e contra a família!



Minha mãe possui o hábito de ouvir rádio. Por esses dias, ouvi um candidato a Deputado Federal, aqui em São Paulo, falando algo do tipo: "querem liberar o aborto, as drogas e o casamento gay. Se você é contra esse lixo moral e é favor da família, vote em mim!". Obviamente me veio um sentimento de asco. Além de ser apelativo e alienador, esse tipo de falácia não passa de uma visão retrógrada e rasa com relação a política e a vida.

Precisa ser muito desonesto intelectual para associar aborto e drogas com direitos civis dos homossexuais. Mas enfim...

Quando um político defende o aborto não significa que ele seja a favor de tal prática, mas sim que ele possui uma visão bem mais ampla acerca do assunto. Ilegal ou legal, milhares de mulheres, todos os anos, praticam o aborto. A diferença é que a ilegalidade faz com que essas mulheres recorram a falsos médicos e clínicas clandestinas, colocando suas própria vidas em risco. A legalização acabaria com esses charlatões e garantiria uma segurança muito maior a essas mulheres. Mesmo você e/ou sua religião sendo contra ao aborto, não impede que mulheres o façam. Eliminar clínicas clandestinas seria muito caro e ineficaz. A legalização está acima da questão moral, se trata de um caso de saúde pública.

Quanto a legalização da maconha, o raciocínio é bem parecido e não se trata de ser maconheiro para fazer defesa de tal. Nunca usei, nem tenho intenção de um dia usar, mas sou completamente a favor. Assim como o aborto, não se trata de incentivar, fazer apologia ou destruir a sociedade. É conhecido que a Cannabis tem efeito igual ou menor com relação as drogas legais, como o tabaco e o álcool. Então, qual a justificativa da maconha ser ilegal? E sim, ilegal ou legal o uso/venda da maconha permanecerá. A legalização tiraria uma parte do comércio de traficantes e serviria para diminuir bastante a venda de outras drogas mais pesadas, pois os usuários da cannabis muitas vezes acabam experimentando cocaína, crack, entre outras, por influência do traficante, que deseja vender um produto mais lucrativo.
A legalização da maconha seria porta de entrada para legalização de drogas mais pesadas? Como dito, a maconha é nociva a saúde a longo prazo, mas de maneira semelhante ao tabaco e bebidas alcoólicas. As chances de se ter uma overdose de maconha é praticamente nula. Já as drogas mais pesadas como cocaína, heroína e crack, por exemplo, podem matar em único uso em exagero e o vício dessas drogas é bem mais complicado de se tratar.

Conclusão: Investir em educação, no combate às desigualdades sociais e em programas de conscientização, tanto de substâncias legais ou ilegais, seriam pontos cruciais para amenizar o problema do tráfico e da saúde pública. A legalização da maconha, por ter menos periculosidade com relação as drogas mais pesadas e servir, em partes, como diminuição do poder do tráfico e crime organizado, também é de caráter fundamental. Não adianta colocar a polícia para caçar criminosos sem que essas medidas sejam tomadas. Essa "guerras às drogas" que temos hoje no Brasil é fracassada e continuará sendo enquanto nossas autoridades não tiverem uma visão mais realista e complexa sobre o assunto. Até creio que alguns políticos tenham esse pensamento, mas infelizmente não possuem coragem para o colocar em pauta por medo de perder alianças políticas e, principalmente, serem atacados por correntes religiosas fundamentalistas, retrógradas e medievais,

E o casamento gay?

O casamento civil é um direito de todos, inclusive dos gays. Nem vou entrar muito no mérito, pois já falei a respeito do assunto por inúmeras vezes aqui no blog. O casamento civil gay não obriga igrejas a realizarem o sacramento religioso e muito menos os heterossexuais a se casarem com pessoas do mesmo sexo. E não, isso não destrói a sociedade e nem a família. O que as destrói é a ignorância, a falta de amor, a prepotência, o egoísmo e o preconceito.

Por qual motivo conservadores fundamentalistas vêm pregando guerra aos que possuem uma visão política mais profunda e amadurecida?

Utilizando-se da velha tática do medo, tais conservadores alienam seus seguidores, incentivam o ódio e o preconceito e esquecem de pregar o mais importante: amor e respeito ao próximo. Como um pastor disse recentemente a um programa de entrevistas: muitos cristãos fazem questão de fazer um mundo pior.
Tais fundamentalistas estão se infiltrando cada vez mais em nossa sociedade, abrindo igrejas como se fossem franquias, comprando espaço na mídia, tendo seus próprios veículos de comunicação, como rádios, jornais, sites e canais da TV. Nos últimos anos, acompanhamos também o crescimento da infiltração deles na política. A tendência é que eles ocupem cada vez mais cargos políticos. Os que defendem a laicidade do Estado e as liberdades individuais são ameaças e por isso estão sendo ferozmente combatidos por eles.
Fica bem claro, pelos menos para mim, que a luta dessa corrente fundamentalista não visa a sociedade e, muito menos, a família. Essa luta é unicamente pelo poder.

É por essas e outras que nunca dei e nem darei um voto para quem prega "a moral, os bons costumes e os valores da família".  Sou mais os imorais e destruidores dessa família fajuta e hipócrita.






20/04/2014

Estatuto da Família: a Escravidão não acabou!

Você acorda cedo e se mata de trabalhar. Na hora de receber, seu salário é entre 1 a 2 salários mínimos. Desconta-se INSS e, na maioria dos casos, percentuais de assistência médica, vale transporte e vale refeição. Seu salário não dá nem para pagar o seu aluguel ou contas básicas como supermercado, água e luz. Tudo é muito caro e tarifado. Brasileiro trabalha de 4 a 6 meses no ano só para pagar impostos. O retorno é quase zero. Sistema de saúde falido, educação deprimente, segurança zero, ruas esburacadas, calçadas intransitáveis, transporte público precário e infraestrutura urbana caótica. Se quiser assinar internet tem que se contentar com um serviço muito caro e de baixa qualidade. Tudo é lento. Rápido somente o trabalhador mesmo deve ser. Se matar e se tornar escravo para sustentar empresários e políticos.

Se a pessoa ganha um pouco mais, Imposto de Renda fica na cola. Afinal,a Receita nunca pode ficar no prejuízo... Ou seja, até mesmo os ricos não estão livres do sistema.  A única diferença é que, mesmo assim, a condição de vida deles é bem melhor do que a de 90% da população.

Quem tem dinheiro, tem tudo. Até felicidade. Quem não tem tenta ao menos ser feliz como pode.

Tudo o que se refere aos direitos do povo é burocrático. Somos acorrentados a este sistema, mesmo que isso passe por despercebido pela maioria. Uma escravidão regulamentada rege nossas vidas. Temos que produzir, gastar e dar lucro ao Governo.

Se somos "obrigados" a aceitarmos essa situação de escravidão econômica, na parte pessoal, humana, temos o direito de sermos livres. Escolher ou não uma religião, vestir uma roupa na qual nos sentimos bem, ser heterossexual, bissexual, homossexual, escolher nossos amigos e montar nossa família em nome do amor...

Infelizmente até na liberdade individual o sistema começa a intervir, ou pelo menos tentar. Eles querem definir o que podemos considerar ou não uma família, com quem podemos nos relacionar e como precisamos nos comportar em sociedade. Mais algemas começam a surgir.

O Estatuto da Família nada mais é do que um projeto com bases cristãs, portanto, mais uma estratégia de aumento de poder da bancada religiosa em nossa política. Aos defensores do Estatuto, só uma observação: Vocês estão erguendo uma plaquinha dizendo "Eu sou um idiota, refém do Estado e da Igreja e quero que todos pensem assim". Marqueteiros voluntários da intolerância e do desrespeito às diversidades de crenças e sexuais.

Religião é questão pessoal. Você segue uma determinada religião. Você tem direito a isso. Só não tem o direito de impor sua religião e dogmas às outras pessoas. Não gosta da ideia de um casal gay adotando uma criança? É uma opinião pessoal sua, mas que não deve, de fato, interferir na vida alheia.

Quanto mais a religião se aproximar do Estado, mais uma nação se aproximará das ruínas.





04/03/2014

A Geração da Inconsequência




Pois é, meus caros leitores... A juventude de hoje está uma merda. E quem escreve isso sou eu, um jovem de 23 anos de idade.

Dá para contar no dedo em meu círculo de conhecidos jovens, aqueles que levam a sério seus empregos e/ou estudos, que utilizam dinheiro e tempo com racionalidade e demonstram apego para com seus familiares e companheiros. Porém, os que são irresponsáveis, que chegam tarde no trabalho, só querem saber de diversão e pegação, além do consumo excessivo de drogas e/ou bebidas e que, ainda por cima, vivem com as contas bancárias no vermelho, aahhh... esses eu perco a conta.

Tudo bem, sabemos que todos nós precisamos de diversão, de uma baladinha ou de uma bebidinha social com nossos amigos. Mas não podemos deixar de lado nossas responsabilidades. Mais do que tudo, precisamos viver em um processo ininterrupto de evolução intelectual. Ou seja, não podemos abdicar de uma boa leitura, de um bom filme, de uma boa música. A arte é essencial na vida de qualquer pessoa. Aquele que esnoba a arte tem fortes tendências de ser um alienado, babaca e irresponsável.

Me chega a dar asco aquela pessoa que não consegue pagar as próprias contas, pois vive metido em festas e baladas em todo o final de semana. E se tiver uma chance de ir no meio da semana, pode crer que eles não perdem. Para piorar, geralmente essa pessoa busca em festas excessivas e prazeres passageiros tentar amenizar suas tristezas e problemas pessoais. É assim que nasce a futilidade (além da inconsequência).

Artistas e intelectuais amenizam seus sentimentos negativos na arte, descrevendo um livro ou uma canção. Ou até mesmo pintando ou assistindo a bons filmes. Babacas, por sua vez, só pensam em se divertir, divertir e divertir.

Você que é jovem ou tem muitos conhecidos jovens: contem quantos tem o hábito da leitura, ou que gostam do cinema clássico ou curtem uma música de qualidade? Posso garantir que os dez dedos de suas mãos serão mais do que suficientes para essa contagem.

Então, Matheus, você afirma que o nível intelectual de uma sociedade está ligada mesmo às manifestações da arte? Sim, afirmo e reafirmo.

Quer um exemplo? Veja na música. Músicas com letras fúteis e sem conteúdo fazem sucesso estrondoso em nosso país, por exemplo. Agora músicas profundas, com letras bem escritas, acabam sendo ofuscadas por tanta futilidade. Há algumas décadas atrás, a juventude acompanhava Legião Urbana, Aborto Elétrico, Cazuza... Hoje, por sua vez, dão Ibope à "Lepo Lepo" ou "Ai se eu te pego"... Reflexo da decadência da educação em nosso país. Reflexo da corrupção de nossa política doente, que se preocupa em dar assistencialismo barato para a população ao invés de investir em projetos não só de ordem econômica, mas sim cultural e educacional. Afinal, é muito fácil dar dinheiro do que educação ao povo, não é mesmo? Povo com dinheiro gasta e movimenta a economia. Povo com educação não elegeria eles. É isso que faz toda diferença.

Vamos observar agora as redes sociais. Você posta uma reflexão ou frase bem elaborada no Facebook. Essa postagem vai ter uma ou outra curtida. Agora veja a postagem daquele cara ou garota que postou foto seminu. Quinhentas curtidas a mais do que sua postagem. E outra pessoa postou:

"Hoje eu vou ferver";

ou

"Tô querendo fazer sexo";


E outra, que adora frases clichês, postou:

"Vem nim mim sextaaaaa!!!"

ou

Frases típicas sobre segunda-feiras.

Ganhou 1000 curtidas!

Poxa, Matheus! Você é bem careta, hein?!

Não, lógico que não. Eu não veria nenhum problema de uma pessoa postar ou curtir frases clichês sobre sextas ou segundas-feiras, desde que valorizasse, também, postagens reflexivas, sérias, interessantes...

Outro detalhe crucial é a tecnologia. Esta poderia servir para interligar mais os jovens, ou as pessoas em geral mesmo, com a arte, com a educação. Mais uma vez INFELIZMENTE, o efeito foi contrário. E bem contrário. Os jovens não utilizam a Internet, em momento algum, para algo verdadeiramente produtivo. E a chegada desses celulares modernos e tablets então, piorou mais ainda. Os jovens não desgrudam os olhos das telas de seus equipamentos, ignorando trabalho e estudo e ainda esquecem que sua vida está passando rápida, sem produtividade alguma, apenas com futilidades que nada agregarão em valores.

Para concluir o meu pensamento, vou utilizar a minha filosofia de vida, a qual julgo a ideal: a filosofia do equilíbrio, que poucos usam. Alimentação, estudo, trabalho, diversão... tudo deveria ser equilibrado na vida de todos. Mas essa geração "I" (de Inconsequente), cada vez deixa o futuro de nossa sociedade mais preocupante.