26/10/2014

Aos que falam mal do Nordeste: Se olhem para o espelho e sintam-se envergonhados!

Como já esperado a vitória de Dilma nas urnas culminou em infinitas publicações odiosas contra o povo nordestino nas redes sociais.

Eu, como paulista, vou dar um recadinho para vocês:

Sintam-se envergonhados ao se olharem no espelho. Nordestino não é um povo burro, mas sim um povo bravo, forte e guerreiro. Se nós, aqui do Sudeste reclamamos com uma seca de meses, os nordestinos sofrem com esse problema há décadas. Sabem essas milhões de vagas de emprego que se tem aqui mais embaixo no mapa? Pois é, lá a situação é bem diferente. Sabe a fome e a miséria? Lá o número de vítimas é bem maior do que aqui. Enquanto vocês despejam seus discursos xenofóbicos e odiosos fazendo o uso da internet e aparelhos eletrônicas, saibam que tem muito nordestino que nem rede elétrica ainda possuem em suas residências. Enquanto vocês que matavam ou matam aulas por motivos fúteis, saibam que milhares de crianças nordestinas ainda não possuem sequer acesso à escola.

A condição de vida dos nordestinos, felizmente, melhorou e muito nos últimos anos, mas a Região ainda carrega o pior IDH do Brasil. Tudo isso foi um reflexo do descaso que outros governos tiveram com o Nordeste ao preferirem polarizar suas principais propostas nas regiões mais burguesas e populosas do país. Esse esquecimento foi extinto quando o PT assumiu o Brasil e olhou a região mais carente de nossa nação com melhores olhos. O Bolsa Família, que vocês apelidaram de Bolsa Esmola ou Bolsa Vagabundagem, foi só uma das benfeitorias do governo petista ao Nordeste. Não vou entrar no mérito aqui, mas se quiserem deem uma breve pesquisada na Internet para acompanhar as outras políticas que beneficiaram a região.

Aliás, criticar o Bolsa Família é de uma ignorância e maldade terríveis. Achar que uma família se tornará vagabunda por receber R$77,00 mensais é o cúmulo da falta de raciocínio e de bondade para com quem mais precisa. Quem sustenta uma família com esse valor? Não dá nem para debater sobre esse assunto com ninguém... E o que mais me irrita é ver cristão criticando essa pequena ajuda do Governo aos mais carentes. Cadê a coerência? Cadê a compaixão? Muitos doam dinheiros às igrejas sem ter certeza para que fins esse dinheiro será utilizado (na maioria das vezes só enriquecem os mercadores da fé mesmo) e se curvam aos que mais precisam. Muitos carregam um livro sagrado embaixo dos braços, mas ignoram ao passarem por um faminto jogado na rua. É triste ver tamanha hipocrisia, ignorância, maldade e preconceito que um ser humano é capaz de carregar.

Só para concluir: vivemos num país democrático e o Nordestinos continuarão tendo peso nas eleições e suas opiniões e convicções merecem todo o respeito. Se eles são fiéis ao PT é devido o fato de nunca terem a atenção merecida de outros governos.

Posso ter inúmeras críticas ao PT, mas como todo bom cidadão deveria ser reconheço suas qualidades e benfeitorias que ajudaram e muito não só o Nordeste, mas sim todo o Brasil nestes últimos anos. Vamos deixar nossa ignorância e arrogância de lado e vamos enxergar a beleza dos nordestinos, de sua cultura, de seus inúmeros talentos revelados e, principalmente, de sua bravura ao enfrentar obstáculos sociais terríveis. Acima de tudo: vamos ser mais humanos!


24/10/2014

[Crônica] O Homem Que Amava as Coisas

Roberto abriu a porta da sala que dá acesso ao abrigo e correu abraçar seu carro:

- Não vou deixar que ninguém faça um risquinho sequer em você, amor!

"Smack, Smack"

É um hábito dele dar dois beijos no carango antes de começar a guiá-lo.

Parado no semáforo, Roberto sacou seu smartphone e o trouxe até seu peito, apertando com força.

- O que eu seria sem você, parceiro?

"Smack, Smack"

Sim, os dois beijos também é um ritual que nosso amigo leva a sério para todos os seus amores.

Chegando ao serviço se deslocou até a cozinha e apertou o polegar da copeira. Dois minutos depois uma bela xícara de café fora entregue nas mãos de Roberto.

Chegando ao seu escritório, girou a orelha de sua auxiliar. Logo depois ela começou a emitir os relatórios que ele precisava.

Terminado o expediente, Roberto lembrou que era dia de fazer visita à mãe. 

"Smack, Smack"

Deu partida novamente eu seu grande amor e dirigiu até chegar no apartamento de sua velha senhora. Apertou a campainha e a porta se abriu. Roberto encarou sua mãe e foi direto ao sofá.

- Poxa! Esse sofá é uma maravilha. . . Valeu a pena cada centavo investido nele.

"Toc, Toc"

A senhora sabia que duas batidas no braço do sofá era sinal que Roberto estava faminto. 

Enquanto a mãe caminhava a cozinha, Roberto tirou seu smartphone do bolso.

"Smack, Smack"

- Sinto muito, companheiro. Lançaram um modelo novo e serei obrigado a trocá-lo. Meu coração está apertado por isso, mas você achará alguém que irá lhe tratar com o mesmo amor e carinho que sempre ofereci para ti...

Depois de dois minutos, a velha senhora apareceu com um lanche e um refrigerante.

- Esse lanche está com gosto estranho. A senhora ficou desregulada, hein? Acho que precisa passar um óleo em suas mãos. Quem sabe não volte a funcionar.

Não demorou muito para que Roberto voltasse ao seu carro.

"Smack, Smack"

Chegando em casa, dirigiu-se até sua televisão de 50 polegadas que havia adquirido há poucos dias.

"Smack, Smack"

- E aí, minha querida, como foi seu dia? Vejo que pegou uma poeirinha. Deixo pegar um paninho e dar um trato em você.

E a TV ficou novamente brilhante.

- Agora sim, amor!

Assistiu o telejornal com indiferença para com as notícias dos atentados que haviam matado milhares de pessoas naquele dia.

Quando viu, da sala, sua esposa deitada no quarto, Roberto falou para o amor de tantas polegadas:

- Vou te abandonar agora... Está na hora de brincar um pouquinho de prazer.

Roberto fitou pela última vez sua mais nova xodó e se locomoveu ao quarto para fazer o bom uso de sua esposa. Depois de chegar no ápice, deixou seu corpo cair no outro lado da cama e entrou em sono profundo.

Ao amanhecer do dia seguinte, Roberto acordou e foi logo ao banheiro. Ao se olhar no espelho levou uma baita susto. Aquele espelho caro estava com várias manchas de pasta de dente!

"Smack, Smack"

- É absurdo que eu tenha te ignorado por tanto tempo! Não serei mais ausente em tua vida!

23/10/2014

[Crônica] Pedro e o Sofá

Pedro é um trabalhador e pai de família. A breve narrativa a seguir descreve um dia corriqueiro em sua vida.




São seis horas da manhã em ponto. O alarme do celular começa a tocar conforme o programado. Pedro dá um salto da cama e corre ao banheiro. Após se aliviar, escovar os dentes e se arrumar, agora se dirige à cozinha. Sua esposa, Lúcia, que acordara meia hora antes, já havia preparado o café. Pedro arrasta a bruscamente a cadeira e se senta para tomar aceleradamente seu café-da-manhã.

- Não entendo o motivo de se escovar os dentes antes do café. Do que adianta? - retrucou a esposa.

- Isso é um comportamento automático, querida. Cresci com esse padrão. Agora me deixe tomar o café pois já estou me atrasando.

Em menos de dois minutos, Pedro já havia engolido o pão francês com manteiga e seu copo habitual de pingado. Levantou da cadeira, voltou ao quarto, pegou a chave do carro e correu para dar partida no seu popular.

Enquanto percorria até o seu trabalho, preocupações sondavam a mente do pai de família. Seu salário apertado o sufocava e mal dava para pagar o financiamento do carro, aluguel da casa e as contas básicas como luz, água, internet e supermercado. Mesmo formado, Pedro percebera que diploma de ensino superior não valia mais do que antigamente e seu sangue ferveu ao lembrar do seu irmão, que mesmo só estudado até o Ensino Médio, tinha uma empresa de informática e lucrava o dobro, ou mais, do que ele.

"Essas faculdades de hoje só pensam no lucro. Diploma virou apenas negócio."

Tal frase martelava em sua mente há tempos.

Pontualmente chegando na empresa, Pedro é abordado pelo seu chefe.

- Sabemos que você pode mais que isso, Pedro.

- Sim. - respondeu com certo tom de irritação.

- Os lucros da empresa caíram mês passado e precisamos recuperar agora. Para isso vou precisar que você faça hora extra e venha trabalhar aos finais de semana. A empresa precisa e você e você dela.

- Aproveitando, Geraldo, eu preciso de um pequeno aumento de salário. Estou meio no vermelho, sabe? Não estou dando conta de pagar as prestações do meu carro, minha conta tá negativa e correndo juros bancários e estou tendo de negar guloseimas que meu filho pede no mercado...

- Tudo virá no tempo certo, Pedro. Você faz um grande trabalho e um dia será recompensado. Pode ter certeza disso.

Ao sair da vista do chefe, Pedro deu um suspiro que misturava ódio e desesperança. O tal "tempo certo" vem saindo da boca de seu chefe há quase dois anos.

Na hora do almoço, na parte externa da firma, Pedro senta-se ao lado de seu melhor colega, Thiago, às sobras de uma grande e bela árvore.

- Sabe, Thiago, a vida é uma grande merda!

- O que aconteceu desta vez?

- Às vezes me pergunto se somos humanos mesmo ou robôs de carne e osso. Parece que nossa vida é destinada a cumprir padrões desde o momento que nascemos. Padrões naturais e outros padrões que se tornaram naturais. Temos de estudar, se formar, trabalhar, se casar, ter filhos, envelhecer e morrer sem, ao menos, fazer algum feito importante. Nossa existência pode ser comparada com a de uma barata ou qualquer outro bicho asqueroso.

- Que isso, Pedro. Pensar deste jeito não vai te ajudar em nada.

- Aceitar tudo isso também não vai, parceiro. Estou de saco cheio deste lugar. Os donos enxergam nós como simples máquinas de dar lucros. Eles adoram cobrar prontidão de nossos deveres, mas essa mesma prontidão não existe quando pedimos nossos direitos.

- Qualquer empresa é assim, cara. A gente pode encontrar um dom ou abrir um próprio negócio. Nada melhor do que a gente ser o chefe.

- É tão fácil que 95% da sociedade não consegue chegar nesse ponto. Abrir algo demanda muito dinheiro e não consigo poupar ganhando tão pouco e tendo tantas dívidas. É um buraco sem fundo.

- Vamos parar de pensar assim. Otimismo. Vamos tocando dia após dia com determinação que chegaremos a conquistas nossos sonhos!

- Credo, Thiago. Você está parecendo nosso chefe. É assim mesmo que o topo da pirâmide quer que a gente pense.

Terminado o horário do almoço, nosso pai de família trabalha o restante do expediente com a cabeça bem longe dali.

- Querido, isso são horas?

- Não me enche, Lúcia.

- Lúcia? Você nunca me chama pelo nome, o que está acontecendo?

- Trabalharei fora do horário durante esse mês todo. Para variar a empresa teve lucros reduzidos e nós, os peões, teremos de nos matar para enriquecer ainda mais o dono daquela merda. Enquanto isso, aqui estou nessa merda de vidinha padrão, mal conseguindo pagar as contas em dia. Cadê minha vida social? Na lata do lixo!

- Merda de vidinha padrão? Você está me ofendendo, seu grosseiro!

Pedro acenou negativamente com a cabeça e se esticou no sofá da sala.

- Todos nós vivemos numa merda de padrão. Não se ligou que somos instrumentos de lucro dos políticos e empresários? Temos de produzir, produzir e produzir e aceitar migalhas em troca. Grande partes das migalhas vai para pagar impostos ao governo... E cá estamos, endividados e numa vidinha medíocre.

- Ao invés de ficar se lamentando poderia fazer acontecer. Buscar mudanças... Mas prefere ficar aí relinchando. Na hora que você entrar em depressão quero ver...

- A vida já é uma depressão, amor. Cadê o Michael?

- Foi na festa da aniversário do filho do nosso vizinho Otávio.

Lucia sentou-se no outro sofá e apanhou o controle remoto. Estava na hora de sua novela.

- Não sei como você gosta de assistir essas porcarias.

- Nossa, fique na sua e pare de pegar no meu pé.

- Já parou de pensar que está sendo mais uma marionete do padrão de vida social? Você só assiste essas porcarias de novelas, programas de fofocas e ainda acessa a internet para também ver fofocas. O que a vida de pessoas ricas possui a ponto de deixar pessoas como você tão obcecadas por elas? Enquanto esses famosos estão ricos e sequer sabendo de sua existência, você fica babando ovo pra eles. Lamentável.

- São pessoas famosas e ricas, infelizmente ao contrário de você, Pedro. Você é tão acomodado que reclama da porra de seu trabalho todo o santo dia, mas não vai atrás de coisa melhor. Um banana. Foi com isso que me casei, um banana!

- Não temos nada a mais do que a necessidade de buscar uma contínua evolução através do conhecimento. Somos reféns desse sistema, Lúcia. 95% dos homens são bananas. Não temos como escapar. Ficar o dia inteiro cuidando da vida de pessoas que sabem que você existe é o cúmulo do ridículo.

- Assim que eu conseguir matricular o Michael na escolinha, irei procurar um emprego. Você exagera, Pedro. Me ofende.

Àquela altura, Lúcia perdera a vontade de assistir sua novela e saiu batendo os pés em direção ao quarto. Minutos depois, Michael apareceu na porta guiado pelo vizinho. Pedro e Otávio trocaram breves cumprimentos e logo se despediram.

- Oi papai!

- Oi filhão! Como foi seu dia?

- Foi legal. Cadê a mamãe?

- Já está dormindo.

- Papai, estava conversando com outras crianças... Vai demorar muito para eu virar adulto?

- Torça para que sim, meu lindo. Se pudéssemos, todos nós, os adultos, viveríamos a magia da infância para sempre. A vida adulta é um saco. É quando se torna adulto que o mundo fica menos colorido. Então trate de aproveitar essa infância ao máximo, campeão!

- Tá bom, papai. Vou deitar com a mamãe.

- Tudo bem, boa noite! - disse acariciando a cabeça do filho.

- Você não vem?

- Não. Papai vai dormir aqui no sofá hoje e não vai ser agora.

"Não gosto de dormir cedo. Já passo a maioria do tempo trabalhando e dormir seria encurtar ainda mais minha vida social, mesmo que esta não seja algo considerado como excepcional. Esse manual da vida, com direitos e deveres, esse show de padrões que afunda a vida de qualquer ser que seja, propriamente, racional deveria ser queimado. As pessoas gostam de apontar o que podemos ou não fazer, como se fossem donas de nossas vidas. Se tem algo que concluí nessa vida é que isso de "certo e errado" é totalmente relativo. Talvez deveríamos a cultivar mais o amor por nossas pessoas queridas, embora a vida não seja muito virtuosa nesse setor, também. Desde cedo somos obrigados a conviver com a saudade de pessoas queridas que se vão e logo, quando partirmos, também deixaremos as pessoas nos amam com saudade. A aceitação é uma estratégia deprimente de vida, porém necessária. Existe uma força maior que nossos anseios. Uma força que não dá trégua e que nos rebaixa a meras peças de um tabuleiro chamado existência. Peças estas que são frequentemente trocadas ao longo do tempo. Com o tempo aprendi que sou insignificante demais a ponto de querer rotular, julgar ou apontar o dedo para outras pessoas. Toda essa subjetividade não faz sentido algum. Sei que dias, como o de hoje, se repetirão e talvez eu não seja forte o suficiente para correr de tal acomodação, mas me dou o direito de conviver com essa realidade que me dá o dever de não me entregar às futilidades como a maioria das pessoas. Boa noite a todos!"

Após fazer tal publicação, Pedro fechou seu notebook e ficou inerte, deitado e olhando para o teto, esperançoso que o sono o acometeria em instantes. Sentiu-se mais confortável após o desabafo. Como o sono não veio, minutos depois abriu novamente o notebook e navegou até seu perfil na rede social. Um amigo tinha comentado o seu texto.

"É meu caro amigo. . . O excesso de realidade corrói a alma de uma pessoa. Tenha uma boa noite, também! Abraços!!!"

Algumas lágrimas correram por suas bochechas. Nem o próprio Pedro sabia ao certo quais os sentimentos passavam por sua mente. Mais uma vez sentiu-se como um cisco diante do tamanho do universo e da existência. A única certeza que tinha é que, por mais tempo que vivesse, muitas perguntas ficariam sem respostas.


"Decifrar a vida é o melhor caminho para a insanidade. Agora sim, boa noite!" - treplicou.

Demorou mais alguns minutos conseguir pregar os olhos. Mais um dia da vida de Pedro chegava ao fim. Os dias poderiam acabar, mas as incertezas jamais.






20/10/2014

Maioria x Minoria



Nenhum embate entre maiorias e minorias se sustenta.

A sociedade é um sistema tão complexo e diverso que faz com cada indivíduo seja, ao mesmo tempo, maioria e minoria em diferentes questões.

Fulano é heterossexual, portanto maioria no quesito orientação sexual; o mesmo Fulano é ateu, o que faz dele integrante de uma minoria no âmbito religioso.

Ciclano é cristão, maioria religiosa; Todavia ele é bilionário, minoria econômica.

Com esses exemplos minúsculos podemos ter uma noção acerca da relatividade do assunto.

Quando um candidato a presidência trouxe à tona a expressão “a maioria tem que enfrentar essa minoria” tivemos várias pessoas que o apoiaram, o que é perigoso. Quando as eleições terminaram com tal candidato tendo 0,4% dos votos válidos, teve-se a prova que ele mesmo representa uma minoria de eleitores.

O reconhecimento da pluralidade social é essencial para vivermos em regime de paz e respeito. Nenhuma minoria deve se curvar para uma maioria, pois, como vimos, ninguém é plenamente uma minoria ou maioria. São rótulos desgastados utilizados para sustentarem visões fascistas e totalitárias. O pior é que há quem defenda que a democracia seja opressão às classes minoritárias.

O problema do ser humano é seu incessante desejo de se sentir superior. A segregação da sociedade é a melhor prova do quanto a humanidade é frágil e infantil. Enquanto os homens disputam poder, não percebem o quão insignificantes são se comparados à grandeza de todo o universo.

A única maioria que deveria ser combatida é a de ignorantes. Mas calma, esse combate tem de ser com conhecimento. Infelizmente é um combate falido, pois a maioria dos governos se interessam por esses conflitos civis, pois tiram a atenção dos poderosos enquanto os mesmos mantêm e ampliam seus interesses próprios. Afinal a ignorância sempre foi e será a melhor arma para controle dos reféns do sistema.


15/10/2014

Os bons são os loucos



Conversando e vendo comentários em portais da Internet percebi que a maioria da população considera Luciana Genro uma louca.
Infelizmente a ignorância e acomodação, especialmente política, parece estar no DNA do brasileiro. Tem muita gente que só lembra da política em época de eleição, mas sequer possui vontade de acompanhar as decisões políticas do país.
O que mais vemos são pessoas reclamando da situação política (social e econômica) que o Brasil enfrenta, mas são essas mesmas pessoas que optam por continuar elegendo os mesmos políticos e os mesmos partidos.

Quem vem com um discurso diferente, como o caso de Genro, que propõe um debate mais amplo sobre assuntos delicados e uma mudança radical para a política econômica, se opondo claramente às politicagens de trocas de favores entre grandes partidos e empresas do setor privado, enfrenta uma forte rejeição e inflamados discursos de ódio. O pior é que não conseguem uma argumentação válida para essa oposição. Louca, despreparada, comunista... são apenas tais vagas rotulações que a carência do intelecto dessas pessoas consegue produzir.

É como quem reclama do emprego, mas não muda de empresa. É como se encontrar em baixa estima por estar fora do peso e não buscar fazer uma dieta e exercícios físicos. É como quem reclama de uma prestadora de serviço mas permanece com o contrato.

Infelizmente a lavagem cerebral midiática e governista faz emergir uma sociedade de marionetes sem opiniões próprias e predestinadas a atenderem os desejos de continuidade do poder daqueles que estão no topo da pirâmide.

Quando quem se coloca ao lado do povo e contra a exploração capitalista é tido como um louco vilão pelo próprio povo, temos a certeza do êxito dessa corrente da ignorância e manipulação.

Encerro com uma frase de Raul Seixas: "A arte de ser louco é jamais cometer a loucura de ser um sujeito normal".


09/10/2014

Relação entre IDH e políticas pró-LGBT

[Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é uma medida comparativa usada para classificar os países pelo seu grau de "desenvolvimento humano" e para ajudar a classificar os países como desenvolvidos (desenvolvimento humano muito alto), em desenvolvimento (desenvolvimento humano médio e alto) e subdesenvolvidos (desenvolvimento humano baixo). A estatística é composta a partir de dados de expectativa de vida ao nascer, educação e PIB (PPC) per capita (como um indicador do padrão de vida) recolhidos a nível nacional. Cada ano, os países membros da ONU são classificados de acordo com essas medidas. O IDH também é usado por organizações locais ou empresas para medir o desenvolvimento de entidades subnacionais como estados, cidades, aldeias, etc.]Fonte: Wikipedia.

IDH, como o próprio nome diz, é um índice utilizado para medirmos o grau de desenvolvimento dos países, considerando educação, distribuição de renda e expectativa de vida ao nascer.
O estudo que fiz se baseia na relação entre o desenvolvimento dos países e políticas pró-LGBT. Como já esperava, os países mais desenvolvidos são aqueles que o cidadão LGBT mais possui direitos.

Abaixo segue a síntese de meu levantamento. Se você quiser acesso ao estudo detalhado, clique nesse link.
Considerações:


Entre os 50 piores países em IDH:

- a homossexualidade é ILEGAL em 60% deles, podendo, inclusive, resultar em prisão perpétua ou pena de morte;
- mesmo nos outros 40%, apesar de não ser considerada crime, qualquer política pró-LGBT como união civil, adoção ou proteção legal é inexistente.

Entre os 50 melhores países em IDH:

- a homossexualidade é LEGAL em 86% destes países;
- a união civil é regulamentada em 56% deles;
- o casamento igualitário é permitido em 28% deles;
- a adoção de crianças é legal em 34% deles;
- em 72% deles possuem leis anti-discriminatórias contra homossexuais.

Os números positivos ficam mais evidentes se considerarmos apenas os 20 países mais desenvolvidos do mundo:

- em 95% deles a homossexualidade é legal;
- em 75% a união civil é regulamentada;
- em 45% o casamento igualitário é direito;
- em 55% é permitido que casais gays adotem crianças.

Cabe salientar que dentro desses países, várias políticas pró-LGBT estão em discussão. A tendência é que essas porcentagens aumentem nos próximos anos.

Contra fatos não há argumentos. Vejo muita gente dizendo que políticas pró-LGBT indicam ruína da família e da nação, mas isso é facilmente desmentido pelos números apresentados. Quanto mais desenvolvido e educado um país é, maior é a aceitação dos cidadãos LGBT's.
Quando alguém falar para você que esse país está cada dia pior por conta da aceitação e aumento da cidadania dos homossexuais, faça esta simples pergunta: "Você preferiria morar numa "Noruega, Suiça, Alemanha" ou numa "Serra Leoa, Etiópia, Afeganistão?".



*O levamento foi realizado com base nos dados disponíveis nos seguintes links:
Legislação sobre a homossexualidade no mundo
Lista de países por Índice de Desenvolvimento Humano

08/10/2014

4 Filmes que todo reaça deveria assistir.

Quem navega um pouquinho pela internet percebe a quantidade de jovens de Direita que temos hoje no Brasil. Esses famosos “reaças” parecem seguir um script:

  • Ser contrário a programas assistenciais, como o Bolsa Família, e chamar os beneficiários de vagabundos;
  • Defender a justiça cega, apoiando quem amarra bandido pelado em poste e agir de maneira irracional;
  • Defender a moral e os bons costumes;
  • Ser contra minorias, como no caso, dos LGBT's. “Não tenho nada contra gays, mas que fiquem bem longe da minha família”;
  • Apoiar atitudes extremistas dos policiais, como chegar na favela metendo bala pra todo lado;
  • Ser contra a legalização das drogas, pois a mesma fará apologia ao uso;
  • Ser a favor da vida e, portanto, ser contra o aborto;
  • Ser a favor da vida, mas a favor da pena de morte;
  • Aliás, falando em pena de morte, achar que atitudes como tal e outras como redução da maioridade penal e armamento da população “do bem”, resolverão o problema de segurança pública;
  • Seguir as páginas como Bolsonaro Zuero, TV Revolta e de heróis como Danilo, Raquel, entre outras;
  • Defender que todos possuam liberdade de expressão para atacar minorias;
  • Achar que racismo, xenofobia, machismo e homofobia são apenas vitimismos;
  • Defender a Ditadura Militar do Brasil e ser contra ideais socialistas por medo de uma ditadura comunista ser implantada por aqui.
Poderia fazer um manual aqui de como ser um reaça, vulgo coxinha. Mas chega. Vamos aos filmes, que todo mundo que se encaixa em tal categoria deveria assistir.

PS: Não é por acaso que amo o cinema. É uma arte completa e muitos cineastas a utilizaram e a utilizam para denunciar e criticar sofismas humanos.

Orações Para Bobby

(Prayers for Bobby, 2009,  Russell Mulcahy)

Belíssimo filme que retrata a homossexualidade do ponto de vista familiar e nos mostra como declarações tidas como não-homofóbicas podem sim destruir um ambiente familiar. Na política brasileira, temos o exemplo do Dep. Jair Bolsonaro (PP-RJ) que diz não ser homofóbico, mas proferiu pérolas como “Se eu tivesse um filho gay, em casa ele não pisaria mais”, “Ter filho gay é falta de porrada”, entre outras. Até mesmo os religiosos que pregam aos seus fiéis que a homossexualidade é pecado e não são obrigados a aceitarem.
No filme, Bobby é um jovem que descobre sua sexualidade e tem de enfrentar a mãe, uma religiosa fervorosa que não aceita a situação. Com a intenção de “curá-lo”, ela submete Bobby a terapias e ritos religiosos. Pressionado, o jovem comete suicídio e, tardiamente, a mãe arrependida começa a buscar o entendimento ouvindo o outro lado, fora de suas convicções religiosas.
O mérito da película é deixar bem claro que não é a homossexualidade que destrói uma família, mas sim a sua ignorância, a falta de comprometimento em conhecer o assunto. “Orações Para Bobby” é baseado em fatos e, infelizmente, trata a realidade de muitos jovens. Não é raro termos notícias de jovens como Bobby, que cometem suicídio por conta da rejeição familiar.



São frases como as de Bolsonaro e religiosos fundamentalistas que atentam contra a família e nada contribuem para a construção de uma sociedade decente. Homofobia não é só bater ou matar homossexuais, mas sim julgar a sexualidade sem conhecimento de causa e incentivar, direta ou indiretamente, agressões verbais e/ou físicas contra essas pessoas.







O Menino Do Pijama Listrado.

(The Boy in the Striped Pyjamas, 2008, Mark Herman)

 O filme do diretor Mark Herman é uma adaptação de livro homônimo que traz a visão pura de uma criança na Segunda Guerra Mundial. No caso, Bruno é filho de oficial nazista que assume um cargo importante em um campo de concentração, obrigando a família deixar a cidade, Berlim, para uma área bem isolada. Triste por ter de deixar seus amigos, Bruno passa a ter uma vida solitária. Quando vê, da janela de seu quarto há uma certa distância dali, uma “fazenda” com crianças e adultos vestindo o que ele chama de “pijamas”, o garoto resolve se aproximar do local. É aí que ele conhece Shmuel, um garoto judeu de mesma idade, com quem cria um forte laço de amizade, mesmo com uma cerca separando-os. Bruno mal sabe que ali, adultos e crianças como Shmuel, são torturados, escravizados e incinerados. O final do filme, que não vou contar, é um verdadeiro tapa na cara do ser humano. O mérito da película é o paralelo entre o mundo da infância e o mundo adulto. Enquanto uma criança alemã e uma criança judia desenvolvia uma amizade, os judeus eram tratados como lixo pelos adultos nazistas. Aliás, a frase de entrada do filme diz tudo: “A infância é medida por sons, aromas e visões antes de surgir a hora sombria da razão” John Betjeman.

- Por qual motivo você indica esse filme para mim? Eu sou reaça, mas sou totalmente contra o nazismo. Não tem nada a ver!!!!

Engraçado é que vejo muitas pessoas falando que são contra o nazismo, mas que são xenofóbicas, homofóbicas e até mesmo as que consideram defensores da Esquerda como seres inferiores. Cansei de ler comentários do tipo “esquerdistas deveriam ser eliminados”. São pensamentos muitos próximos aos dos nazistas.  

A Caça

(Jagten, 2012, Thomas Vinterberg)



Esse maravilhoso filme de Thomas Vinterberg mexe em várias feridas.
perda da guarda do filho. Conhecido por ser amigável com todos, a paz de Lucas termina quando uma menina da creche diz a diretora que ele a mostrou suas partes íntimas. Na verdade, a menina não sabe e nem possui noção do que está falando. Ao nutrir uma paixão infantil de Lucas e se sentir rejeitada, a menina apenas quis se vingar dele. Um pouco antes do ocorrido, o irmão mais velho da menina tinha mostrado uma imagem pornográfica para ela através de um celular, o que serviu como munição para a garota. Com a viralização da acusação e pela falácia de que criança não mente, toda a pequena cidade passa a hostilizar e agredir Lucas, mesmo sem nenhuma prova concreta do ocorrido. O principal mérito de Vinterberg é não esconder que Lucas é inocente e assim colocar o espectador em estado de terror e agonia, como o objetivo de fazer refletir profundamente a respeito de certas questões:

– Criança pode mentir sim, mesmo que seja de maneira inocente. Dependendo de como a criança é criada e do que ela ouve ou assiste, mesmo com pouca idade ela pode desenvolver certo nível de maldade;

– Uma acusação falsa, partindo tanto de uma criança ou de um adulto, pode trazer danos irreversíveis para a vida de uma pessoa;

- Duvido que alguém que tenha assistido ao filme continuou a favor da justiça com as próprias mãos. É inevitável não se colocar no papel de Lucas: já pensou ser acusado de algo que não fez e correr o risco de até morrer por isso?

Lembro que assisti esse filme pouco depois de uma jornalista dizer que é “compreensível” o povo fazer justiça com as próprias mãos. Foi impossível não fazer alusão com tal acontecimento.



V de Vingança

(V for Vendetta, 2005, James McTeigue)


Um filme que os conservadores odeiam. Por sinal é um filme muito raro de se ver na TV aberta aqui no Brasil. Os motivos são óbvios. Em um futuro próximo, o mundo vive uma crise e em guerra. O Reino unido se mantém estável no governo fascista e totalitário, comandado pelo Chanceler Adam Sutler. Muito parecido com o regime nazista, minorias como opositores, homossexuais e outros considerados inferiores são mandados para campos de concentração, onde não torturado e feitos de cobaias em testes para medicamentos de um vírus. O que chama atenção é que esse vírus foi criado por homens ligados ao governo, deixando bem claro a estratégia de “criar uma doença para vender a cura”. É algo que nos deixa com uma pulga atrás da orelha com relação aos vírus que realmente existem e uma possível máfia da indústria farmacêutica. Mas isso é apenas um detalhe do que o filme retrata. Os “Homens-Dedo” que são membros da polícia secreta, são retratados como autoritários e violentos. No começo da história, eles tentam estuprar uma moça que andava em horário proibido pelas ruas da cidade. A mídia é manipuladora, censurada pelo Governo (talvez o maior motivo de não vermos o filme em grandes canais brasileiros). A religião também é magistralmente alfinetada. O Chanceler é cristão e membros de igrejas são mostrados como sadistas e alguns deles, inclusive, transam com garotas virgens.



Além de lembrar os perigos de governos totalitários, o filme evoca o poder do povo. Não é por acaso que a máscara do protagonista seja utilizada em manifestações populares mundo afora.

Muitos reaças tentaram rebaixar a obra, considerando que ela incentiva ataques terroristas, entre outras argumentações vagas. Para mim, é uma das maiores obras-primas do cinema.

“O povo não deve temer seu governo. O governo deve temer seu povo.”

“Suas bombas não matam nossa fome, mas alimentam nossa desgraça.”

“Ideias não são só carne e osso. Ideias são à prova de balas.”

“O medo se tornou a arma principal desse governo.”