31/05/2015

Para os fanáticos religiosos cuidar da vida sexual alheia é mais importante do que matar a fome do próximo

O mais novo alvo da indignação dos religiosos fanáticos é uma marca de cosméticos. Todo mundo já deve ter visto o comercial da empresa, que em razão da promoção do Dia dos Namorados, apresenta uma diversidade de casais trocando perfumes de presente, entre eles um casal gay e outro lésbico. E o máximo que acontece entre esses casais é um abraço.

Simples abraços que causaram fúria entre os defensores da família margarina tradicional brasileira que se organizaram para negativarem a avaliação do vídeo comercial no YouTube. Nesse exato momento são contabilizadas 40 mil positivações contra 104 mil negativações.

Fico aqui pensando no que leva esses idiotas a praticar esse tipo de idiotice. Ignorância? Talvez. Falta do que fazer? Pode ser. Alienação religiosa? Provavelmente sim. Porém a única explicação plausível que martela em minha cabeça é a falta de humanidade.

Digo isso pois não vejo esses grupos de fanáticos fazendo campanha pra doação de comida para os africanos que morrem de fome e nem mesmo se sensibilizando com a miséria alheia, na grande maioria das vezes ignorando moradores de rua e os considerando como meros "vagabundos" que não querem trabalhar. Não é possível que nas mentes vazias desses idiotas a ideia de mudar o mundo se importando quem fulano ama ou com quem sicrano transa é algo realmente plausível.

Será que é o amor e o afeto os responsáveis por toda desgraça do mundo? Com toda certeza não.

Somente mesmo a falta de humanidade pode responder o porquê de um mero abraço entre pessoas do mesmo sexo ser mais chocante do que cenas de violência, que extorsão de fiéis por líderes religiosos, do que todo machismo que é imposto no dia-a-dia, do que a miséria, fome e tudo mais de desumano que acontece hoje no mundo. É preciso mais do que alienação e ignorância para renunciar assim ao bom senso e à humanidade.

Se ao invés de darem uma negativação ao vídeo em questão, essas pessoas doassem 1 real para quem precisa de comida, já teríamos 104 mil reais - valor que ajudaria a matar a fome de muita gente. Mas fazer o que se cuidar da vida sexual alheia é mais importante do que dar pão para os famintos?

A raça humana continua no seu processo de eterno de luto...


11/03/2015

[ESPECIAL 007] As 5 melhores e piores músicas da franquia

As músicas de abertura fazem parte da essência da franquia de James Bond. Nesses mais de 50 anos de existência do espião britânico no cinema, muitas tradições foram mudadas, mas as músicas permaneceram com a tradição de somar charme às aventuras do agente.

007 Contra SPECTRE chega aos cinemas agora em outubro e nada temos por enquanto de confirmações sobre quem cantará a nova música de abertura. Rumores indicam Sam Smith, Lana Del Rey ou até mesmo a volta de Adele, que ganhou o Oscar pela interpretação de Skyfall, e que ainda pode contar com uma colaboração de Lady Gaga, o que seria incrível. Enquanto só temos rumores, que tal uma lista com as melhores e piores músicas de abertura da franquia?

MELHORES


5º) You Know My Name - Chris Cornell (de 007 - Cassino Royale).


Cassino Royale foi um marco importante para James Bond. A renovação da fórmula que já havia de desgastando nos últimos filmes, com um espião mais humano e verossímil e uma história mais madura. A música interpretada por Cornell se encaixou perfeitamente nessa revolução, com uma melodia agradável  e refrão forte. Curiosidade: não se tinha uma voz masculina na franquia desde 007 - Marcado Para a Morte.


4º) Nobody Does It Better - Carly Simon (de 007 - O Espião Que Me Amava)


Por mais que eu tenha certas restrições para com a Era Moore, não posso negar "O Espião Que Me Amava" é um filme completamente charmoso, onde há cenas antológicas (como a do Lotus) e uma química perfeita entre Bond e sua Bondgirl. A música sublime e linda de Carly Simon adiciona ainda mais charme ao filme, que é o meu favorito dentre os protagonizados por Roger Moore. Melodia maravilhosa!


3º) Live And Let Die - Paul McCartney (de Com 007 Viva e Deixe Morrer)


Com a explosão do Rock no início da década de 70, os produtores de 007 encarregaram ninguém menos do que Paul McCarteney (dos Beatles) para compor a música do primeiro filme de Roger Moore na franquia. Com um instrumental poderoso e um talento inquestionável de McCartney, a música é a única coisa que se salva no filme e, para mim, é a terceira melhor da franquia.


2º) Skyfall - Adele (de 007 - Operação Skyfall)


Skyfall é um filme antológico, que mesclou o 007 clássico com o moderno e trouxe um dos maiores vilões da franquia, interpretado por Javier Bardem. O filme ainda conta com a voz incrível de Adele para música de abertura, vencedora do Oscar de melhor canção original. Todo o poder vocal da cantora britânica nos brindou com uma música maravilhosa que me causou arrepios na sala de cinema.


1º) A View To A Kill - Duran Duran (de 007 - Na Mira dos Assassinos)


Sim, 007 - Na Mira dos Assassinos é um filme medíocre e repetitivo que encerrou a famigerada "Era Moore" da franquia, mas a música da banda Duran Duran possui ritmo e melodia que talvez seja as que mais combinam com James Bond dentre todas as outras. Um rock de qualidade e que, para mim, é disparada a melhor canção de 007.


PIORES

É injusto pra caramba utilizar essa palavra "piores"... Canções que considero ruins mesmo são as três primeiras colocadas. As demais, prefiro dizer que são canções "menos marcantes" numa franquia recheada com músicas de altíssimo nível. Vamos lá:

5º)  Licence To Kill - Gladys Knight (de 007 - Permissão Para Matar)

Com dor no coração devido ao motivo de  Gladys Knight cantar de maneira esplêndida essa canção, mas a música no geral fica bem aquém da média da franquia.


4º) The Man With The Golden Gun - Lulu (de 007 Contra o Homem com a Pistola de Ouro)


O filme é um dos maiores "WTF?" da franquia, beirando o pastelão trash (talvez o "Homem do Membro de Ouro", do Austin Powers, seja mais sério) e a canção de Lulu passa por despercebida. Como disse, não é que a canção seja ruim, mas dentre tantas de qualidade essa é uma das que menos de destacaram e marcaram na franquia.


3º) Tomorrow Never Dies - Sheryl Crown (de 007 - O Amanhã Nunca Morre)


O segundo filme protagonizado por Pierce Brosnan é eletrizante. Pena que não podemos dizer o mesmo da canção de abertura, interpretada por Crown, com arranjo sonolento e melodia fraca. A música de encerramento do filme, "Surrender" (K.D. Lang) é bem melhor.




2º) Die Another Day - Madonna (de 007 - Um Novo Dia Para Morrer)

Que Madonna é uma diva e rainha do Pop não posso negar, mas sua música para o último filme de Pierce Brosnan como 007 é ruim, é - e muito. Se bem que combina certinho com a película: uma farofada. A voz artificial de Madonna e as exageradas batidas eletrônicas fazem de "Die Another Day" a segunda pior música de abertura da série.


1º) Another Way to Die - Alicia Keys & Jack White (de 007 - Quantum Of Solace)

A mais fraca de todas as canções de abertura de 007 chega a ser inexplicável. Todos sabemos do poder vocal de Alicia Keys - e de Jack White também - mas Another Way To Die não consegue explorar o talento de nenhum dos dois. É uma música exagerada, com batidas desnecessárias e um ritmo descompassado e ambos cantores não conseguem convencer. Talvez a música cairia bem melhor na voz de uma Lady Gaga, Rihanna...



16/02/2015

Qual o preço da felicidade?


A palavra felicidade é muito empregada por todos nós. Diariamente almejamos essa felicidade nos mais diferentes setores da vida: no trabalho, na família, na vida amorosa, no relacionamento com amigos, etc. Nas redes sociais é comum encontrarmos pessoas que compartilham mensagens abordando esse sonho da felicidade. A questão que quero colocar em pauta com o texto é; será que existe felicidade plena?

Para começar, é necessário ter noção que a felicidade é um conceito relativo. Vamos analisar os relacionamentos amorosos, por exemplo: a felicidade, para uma pessoa, pode consistir numa relação onde não existam brigas e discussões,  já para outra, brigas e discussões podem ser encaradas como normais, não interferindo no que ela considera felicidade. No campo do trabalho, para uma pessoa a felicidade consiste em fazer o que gosta e para outra, em ganhar um alto salário, independentemente de fazer ou não o que gosta.

Entretanto, mesmo com essa relatividade conceitual, pode-se afirmar que não existe felicidade plena. O sentimento de felicidade não é algo constante por sofrer as ações do tempo. A felicidade amorosa, por exemplo nunca é eterna. Em alguns casos pode durar mais e em outros, menos. As histórias amorosas dos contos de fadas, filmes e novelas que falam de pessoas que "viveram felizes para sempre" não condizem com o mundo real, mas sim apenas da idealização de um "sonho". A felicidade no trabalho pode chegar ao fim com a chegada de um novo colega, da troca do chefe, ou simplesmente pelo estresse e pela perda do prazer em uma atividade que antes era a ideal para a pessoa.

Sem contar que felicidade plena envolve o fato de uma pessoas estar feliz com tudo o que existe e acontece em sua volta. Uma pessoa pode estar vivendo a felicidade no campo amoroso e no trabalho, mas não no relacionamento com o irmão. É também difícil que uma pessoa possa estar feliz considerando a fome, a miséria, a destruição da natureza, guerras e todos os demais fatores sociais do mundo.

O mundo e as pessoas não são perfeitos. Os sentimentos humanos são complexos. A interferência do tempo é inevitável. O mundo está em constantes transformações, assim como nosso intelecto e sentimentos. A busca por uma "vida feliz" não passa de uma utopia e que faz muitas pessoas se perderem dentro de si mesmas, impedindo a absorção do que realmente acontece às suas voltas e a busca pelo conhecimento. Com o advento da globalização, a "vida feliz" virou de vez uma mercadoria a ser vendida por um preço amargo. A falsa ideia de que para ser feliz é necessário se ter mais e mais poder financeiro para a aquisição de bens materiais está adoecendo o ser humano e virando um fator de alto lucro aos burgueses. Quanto menos poder aquisitivo tem uma pessoa, mais ela tende a submeter a essa materialização da felicidade e se tornar uma marionete nas mãos dos capitalistas.

29/01/2015

Vamos falar de feminismo?

É um assunto necessário e sei que pelo simples fato de eu ser homem branco já acarretará em inúmeras rejeições do meu texto. Mas peço calma e proponho um debate adulto e sério por aqui. Convido a todos a lerem meu texto e usarem o espaço dos comentários caso queiram me corrigir ou debater (mais uma vez, de maneira adulta) o tema.

Alguns chamam de "feminismo pós-moderno", outros de "misandria" e alguns outros de "RadFem". Rotulações desnecessárias à parte, falamos aqui de certas integrantes do movimento feminista que andam dando o que falar - principalmente nas redes sociais - com suas posturas prepotentes e extremistas, apesar de compreensíveis. Antes de entrar no mérito da questão, convido todos os leitores a uma breve reflexão sobre o machismo e o movimento feminista em si.


Machismo


Segundo o dicionário, a definição do machismo é:

Opinião ou atitudes que discriminam ou recusam a ideia de igualdade dos direitos entre homens e mulheres.
Característica, comportamento ou particularidade de macho; macheza.
Demonstração exagerada de valentia.
Informal. Excesso de orgulho do masculino; expressão intensa de virilidade; macheza. 

Pois bem, o comportamento machista é uma opressão originada pela construção social de que a figura masculina é dominante, superior à figura feminina. Tal comportamento data de muito tempo e podemos observar a presença do mesmo até mesmo na própria Bíblia Sagrado, onde em diversas passagens é citado que a mulher deve ser submissa à figura masculina.

De fato, o machismo é algo intolerável, assim como qualquer outra opressão, visto que todos nós humanos merecemos igualdade de direitos, liberdade e tratamento respeitoso independentemente das características particulares de cada pessoa.

Como é comum, toda opressão origina contrariedade por parte dos oprimidos, estes que em certo ponto não aceitam mais a imposição opressora e se organizam em movimentos para combater a opressão. Esse movimento foi denominado de Feminismo e, ao contrário do que indica, não é o machismo invertido, mas sim a luta contra ele.


Quem é atingido pelo machismo?


Historicamente é nítido que as mulheres são as principais vítimas do comportamento machista, mas se engana quem pensa que os próprios homens também não sejam oprimidos por ele. Graças a sua construção social, essa ideia de virilidade e superioridade "obrigatória" que o macho tem de passar, qualquer comportamento que fuja disso fará com que o homem seja oprimido. Por exemplo, um homem que chora e tem sua masculinidade duvidada por outras pessoas, visto que a figura masculina "não deve demonstrar fraquezas", comportamentos socialmente atribuídos às mulheres. Do mesmo jeito ocorrerá caso o homem demonstre ser sentimental, se depile e não se relacione com uma quantidade razoável de mulheres. Homens homossexuais então, estes estão ainda mais sujeitos ao machismo, uma vez que este anda de mãos dadas com a homofobia.

Portanto, mesmo que haja uma diferença de intensidade quanto a opressão, todas as pessoas, independente de gênero, estão sujeitas a sofrerem com o machismo.

Existem mulheres machistas?


A resposta é positiva e no nosso dia-a-dia temos vários exemplos de mulheres que, por conta de sua construção social, reproduzem o machismo e, com isso, defendem a ideia de superioridade masculina  e submissão feminina. Apesar de algumas pessoas considerarem que existe uma diferença entre "ser machista" e "reproduzir o machismo", minha opinião é bem divergente e segue a lógica, a semântica: a partir do momento que alguém reproduz machismo, esse alguém é machista. Da mesma forma que quem reproduz homofobia é homofóbico, mulher que reproduz machismo é machista. Assim como existem homossexuais homofóbicos.



Homens podem ser feministas?


Talvez a questão que mais anda gerando polêmica ultimamente. A partir do momento que todos estão sujeitos a sofrerem com o machismo, nada mais justo do que homens e mulheres se organizarem contra o machismo, buscando a desconstrução do mesmo e forçando políticas mais igualitárias entre os gêneros. Acontece que por conta do nome, muita gente vem considerando que o feminismo é um movimento exclusivo para mulheres, não considerando que homens também são alvos potenciais e expurgando (muitas vezes ridicularizando) os que se dizem feministas. Concordo que o protagonismo deve ser das mulheres, visto que estas são as maiores oprimidas, mas radicalizar a ponto de não aceitar homens no movimento é uma atitude a ser repensada e que gera ainda mais controvérsias e afastamento da sociedade para com o mesmo.

Várias pessoas consideram com os homens podem ser "apenas" pró-feministas e mais uma vez se percebe um problema lógico e semântico. Uma vez que o feminismo não é uma característica/condição humana, mas sim uma ideologia, tal consideração acaba não fazendo o menor sentido por conta de passarem exatamente o mesmo significado. Seria o mesmo que falar que uma pessoa que defende os ideais socialistas não é socialista, mas sim pró-socialista.


Homens podem dar pitacos no feminismo?

Nenhum movimento/ideologia está acima de críticas. Pessoas merecem respeito e direitos. Ideologias merecem debate. Infelizmente, o radicalismo de certas feministas (e "pró-feministas") estão impondo que "homem" e principalmente o "homem branco" não pode criticar ("dar pitaco") no movimento. É um erro grave imaginar que só pelo fato do movimento ser composto por oprimidos, ele não possa ser criticado por quem os militantes consideram como "potencial opressor". Assim o movimento racha entre os próprios apoiadores e perde a força para brigar por conquistas. Como dito, todo debate é válido se tratando de movimentos, mas qualquer tentativa de debate que é proposta sobre o feminismo é visto como uma "tentativa de roubar o protagonismo" e merece ridicularização.

Essa imposição de regras fabricadas anda gerando muito conflito, abalos de amizades e até casos graves como exposição e linchamento moral virtuais de homens que persistem em procurar o debate. A questão que proponho é: será que esse realmente é o caminho? Tudo que se torna extremista perde pontos e passa a ser mal-visto pela sociedade e ser extremista com os próprios apoiadores então é pedir para que a militância vire piada e vá a falência. Mas lembro, é apenas uma crítica construtiva. Não quero roubar o protagonismo de ninguém...



18/01/2015

[ALERTA] Cuidado com o populismo nas redes sociais!

Quando se ouve o termo populismo há uma tendência de associá-lo com políticos, mas não são apenas eles que utilizam dessa estratégia para alcançar seus objetivos de poder e/ou doutrinação.

Um político populista é aquele que aparece com crianças no colo e abraça a população carente durante as campanhas eleitorais, por exemplos, e durante seu mandato elabora projetos visando fazer a famosa "média" com o povo, se utilizando da comoção e das maiores fraquezas de um povo para conquistá-lo.

Um pastor se utiliza tendenciosamente de um jogo de palavras para atrair apoiadores para o ensino religioso nas escolas, com o objetivo de "combater" a criminalidade.

Com o advento das redes sociais, percebemos que muitas pessoas que não estão envolvidas diretamente com a política se utilizam da estratégia populista para fins pessoais. Quer um exemplo? Recentemente tivemos um apresentador de televisão que se aproveitou de um caso de racismo para promover a venda de camisetas com uma frase anti-racista que se tornou viral pela internet. Outros exemplos temos com pessoas envolvidas com religião. Pastores, líderes religiosos e outras "celebridades" do mundo gospel estão lotando suas respectivas páginas com postagens sensacionalistas com os temas que mais causam comoção - a grande maiorias destas publicações não ligadas à religião -, tudo isso com o objetivo de atrair o maior número de seguidores possível.

No meio dessas histórias lindas de famílias, animais de estimação e outras até mesmo com certa dose de humor, existem postagens tendenciosas, ligadas aos interesses religiosos, como por exemplo a cura da homossexualidade, a "importância" do ensino da Bíblia sagrada em escolas públicas, influências políticas (falando em quem você deve votar ou não)
e outras coisas do gênero.

Pois é, caro leitor. Com a internet, a alienação religiosa ultrapassou os limites de igrejas e templos e pode estar mais perto de você do que imagina. Portanto , tome muito cuidado com o populismo virtual.


Para termos uma ideia do perigo, um desses populistas gospel compartilhou em sua rede social uma notícia fake (do site de humor Sensacionalista), que dizia que o Dep. Jean Wyllys fez um projeto pra proibir o casamento de evangélicos, como se fosse algo verídico só para causar entre seus seguidores uma repulsa ainda maior ao deputado homossexual (já que este é uma pedra do sapato dos fundamentalistas).

13/01/2015

Quem tem medo do Comunismo?



Quando crianças, nossos pais nos contavam uma série de lendas como a do Bicho Papão, Lobo Mau, Homem-do-Saco entre outras, para nos colocar medo e, consequentemente, nos comportarmos. O medo é sempre uma arma eficaz para o controle do ser humano.

Assim como as lendas infantis, crescemos com a imposição de que o comunismo é algo terrível onde todas as liberdades são cerceadas e milhões, bilhões, trilhões de pessoas são assassinadas. A carga de (des)informações que recebemos da mídia faz de todos nós potenciais anti-comunistas. O que não falta por aí é gente falando do comunismo sem saber o que de fato ele é.

Convido, principalmente os anti-comunistas, a acompanharem a simples reflexão abaixo.

O capitalismo é o sistema que impera em praticamente todo o globo. Em que consiste o capitalismo? Num sistema de pirâmide, onde poucas pessoas detêm alta concentração de capital e a maioria vive em condição de explorada - tanto produzindo quanto consumindo. Quem está no topo da pirâmide? Grandes empresários, incluindo os donos de jornais e outros veículos de comunicação.

O comunismo se opõe ao sistema capitalista por considerar que este gera desigualdade social e uma exploração abusiva do ser humano. Você pode estar relutante em concordar comigo, mas não podes negar que sentes explorado a todo momento, seja na condição de trabalhador ou na de consumidor, certo? Continuando, os comunistas pregam o fim das regalias da burguesia e a valorização do ser humano.

Agora pensem comigo: Se o comunismo quer bater de frente com os interesses dessa burguesia, cortando tais regalias e os donos do veículos de informações fazem parte dessa burguesia, não é meio lógico que eles vendam uma imagem extremamente negativa da ideologia comunista?

Não vou entrar muito no mérito do capitalismo para não deixar o artigo extenso. Tratarei especificamente do tema em breve.

Mas afinal, é serio que o comunismo já matou milhões de pessoas? Para saber a resposta, recomendo que leiam ESTE ARTIGO que está bem elaborado e elucidativo.

Somente o conhecimento pleno pode nos livrar das amarras do sistema. Mas cabe lembrar que conhecimento não é absolver qualquer coisa que nos é passada, mas sim refletir, questionar e sempre buscar o maior número de fontes possível. Aliás, é com conhecimento e engajamento que se faz uma revolução.

SOU JE SUIS HIPÓCRITA!

Conforme dito na postagem anterior, condeno veementemente os atentados a Charlie Hebdo e qualquer outra forma de repressão à liberdade de expressão, pois nenhum movimento ou ideologia pode ser  à prova de críticas (satíricas ou não) e debate. Porém, queria deixar também minha manifestação sobre toda a comoção gerada em torno do atentado.

Esse "auê" todo não me incomodaria se não tivesse cheiro de classismo e, principalmente, de hipocrisia. Não vejo tanta comoção, por exemplo, quando ocorre massacres de civis em países menos favorecidos - inclusive, um dos participantes dessa marcha contra o atentado em Paris é o primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu, responsável pela morte de milhares de palestinos. Será que a morte de 12 jornalistas tem um peso tão maior do que milhares de vidas civis ceifadas, entre mulheres e crianças? Por qual motivo também não vejo ondas de comoções pelos que morrem diariamente de fome na África? Tem gente que não disfarça a posição pessoal de que pobres e negros são menos "humanos" que os brancos e ricos. Já Benjamin Netanyahu nem se esforça em disfarçar que seguidores de religiões diferentes à sua são inferiores e merecem a morte.

Seria a síndrome do Nazismo Invertido?