04/03/2014

O que comer, já que tudo faz mal?

Ouvimos, praticamente, todos os dias que algum alimento faz muito mal à saúde. Às vezes, as próprias fontes de informação entram em contradições a respeito de determinados alimentos: uns dizem que alimento X faz muito mal, outros dizem que não faz mal e é até bom para a saúde.

Agora, como se localizar no meio de tantas informações? Baniremos refrigerantes, fast food, conservados, embutidos, etc. de nossas dietas?

Bom, eu não entendo quase nada de medicina ou nutrição, mas posso vir falar com intuição e um pouco de lógica: assim como em tudo na vida, o segredo de uma boa alimentação está no equilíbrio.

Comer só porcariada (como hambúrgueres, pizzas, salgadinhos, etc) pode ser tão prejudicial quanto só comer salada e legumes. Temos que ter ciência que nosso organismo precisa de todos os nutrientes que existem (não vou me aprofundar nisso, até porque temos vários sites que falam exclusivamente disso). Temos que ter ciência também que não podemos comer embutidos, gorduras e conservados com muita frequência. 

Assim, podemos tranquilamente comer aquele rodízio de pizza no final de semana, sem peso na consciência, se nos demais dias da semana a gente ingerir uma alimentação bem equilibrada, com arroz, feijão, verduras, legumes, carne branca e vermelha, frutas, entre outros. Um erro que vejo em programas de TV, rádio ou até mesmo em matérias na Internet é que, quase sempre, eles usam os termos "não comam" ou "faz mal", ao invés de "evitar" ou "equilibrar". Está certo que quase ninguém obedece a essas matérias, mas mesmo sim eu me irrito profundamente com a forma na qual esse tipo de coisa é abordada pela mídia. Se uma pessoa fosse seguir à risca o que dizem, iria viver na dieta da água.


13/02/2014

Medidas superficiais, de uma política superficial e de uma sociedade superficial.

REDUÇÃO DA MAIORIDADE PENAL

Ilusão é a doença que acomete muitos cidadãos em nossa sociedade. Para muitos, a resolução de problemas, tal como a violência, vem apenas de projetos reacionários como o da redução da maioridade penal ou da legalização do uso de armas pela população. Digo ilusão, pois pensar assim é uma jogada superficial de mais, como se fosse a saída mais fácil para o problema da violência, que é muito maior do que qualquer um pode imaginar.

O mal tem que ser cortado pela raiz. Esse ditado é um dos poucos que concordo. De onde vem tanta violência? Da política. A desigualdade social, provocada por interesses de uma minoria rica e monopolizadora, somada ao descaso da educação pública, formam a "base" da crescente onda de violência em que vivemos. Para chegar à tal conclusão não é preciso ser muito inteligente.

Agora vamos mais afundo.

O Código Penal brasileiro é uma grande piada, e de mau gosto por sinal. As penas são brandas. Marginais que cometem crimes graves, em pouco tempo estão soltos e, na maioria das vezes, continuam cometendo crimes. O sistema penitenciário, por sua vez, é um verdadeiro caos. Sem condições humanas, superlotadas e comandadas pelo descaso, as cadeias brasileiras, ao invés de "reformar" o bandido, acaba o tornando ainda pior. Em situações extremas, qualquer pingo de humanidade que exista numa pessoa acaba se perdendo. Então vamos lembrar que esses mesmos marginalizados estarão em pouco tempo às soltas, fazendo mais vítimas.

Então... Do que adiantaria uma redução da maioridade penal, se medidas como a reforma da Constituição, mais precisamente do Código Penal, o investimento em educação de qualidade, o combate ao Capitalismo sem freios e melhorias no sistema carcerário e até mesmo uma maior qualificação da Polícia e dos agentes carcerários, não forem tomadas antes? Não adianta querer colocar a carroça na frente do burro.

REVOGAÇÃO DO ESTATUTO DO DESARMAMENTO

Outra válvula de escape de fácil adesão popular. "Afinal, se bandido tem arma, o cidadão de bem também tem de ter."

Até que ponto estaremos seguros com uma sociedade armada? Mesmo a posse de armas sendo difícil e burocrática, estamos cansados de ver "cidadãos de bem" usando armas de fogos em brigas de trânsito, em discussão de bares, familiares e até mesmo escolares. A natureza humana é deveras complexa. O instinto do homem, muitas vezes é fatal.
Imagine uma facilidade ao porte de armas de fogo. Além de tudo que já foi mencionado, vejamos os justiceiros agindo por intuição, atirando em um aparente culpado, sem ter provas. Pessoas morrendo por causa de crimes que não cometeram... Ou a arma incentivando o cidadão de bem a reagir à assaltos, e este acabar sendo morto primeiro pelo marginal. E por aí vai.
Porém,  os defensores do armamento civil, só conseguem idealizar os "cidadãos de bem" atirando em bandidos malvados que os roubam e ameaçam suas vidas.

Então, Matheus, o que faremos para acabar com a violência?
Bom, não é com medidas superficiais, lançadas por políticos sedentos por votos e status que manjam do que causa apelo popular, que iremos dar mais segurança ao país.
É através do voto e de manifestações é que podemos começar com uma reforma política em nosso país. Ler bons livros, ter acesso às artes em geral, discutir ideias, tudo que colabore com a evolução intelectual, para se aprender a ter uma noção crítica melhor. Como disse no começo do texto, o mal se corta pela raiz. E esse "mal", somos nós, a população. Vamos sentir melhor a sociedade, entender as diversidades, ter respeito ao próximo. Vamos nos interessar pra valer em política.

09/02/2014

A hipocrisia jornalística do Brasil

É muito fácil bater e amarrar em um poste um morador de rua drogado. É muito fácil para um jornalista ou para própria população apoiar esse tipo de atitude.

Defende bandido? Por que não leva para a casa?



Mas uma pergunta básica: por que não fazem o mesmo com os políticos corruptos, que contribuem para todo esse cenário de aumento de violência, decadência de educação e saúde pública? E tem mais: duvido muito que se acontecesse de lincharem um político corrupto, algum jornalista iria defender tal postura. Não que eu defenda qualquer tipo de violência, pelo contrário, só estou comparando ideologias e invertendo os personagens,  promovendo o debate sobre outro ponto de vista.
"É compreensível que um povo que ande de saco cheio com a política desse país passe a ter tais atitudes..."

Será que ouviríamos ou leríamos isso de algum órgão da mídia?

Outra pergunta: Por qual motivo, o povo que defende tais "justiceiros", não toma atitudes efetivas, em manter manifestações contínuas para mudança da nossa política e Constituição? Por qual motivo os mesmos não fazem valer seus votos?

A resposta é certa: realmente é muito mais fácil bater num marginal qualquer.

Hipocrisia? Não, deve ser apenas liberdade de expressão. Vai entender, né?


Obs.: Só para reforçar, antes que me chamem de esquerdista revolucionário, que faz apologia à violência: NÃO APOIO QUALQUER FORMA DE VIOLÊNCIA. NÃO DESEJO QUE SAIAM BATENDO EM POLÍTICOS OU EM QUALQUER OUTRA PESSOA. A MUDANÇA ESTÁ NA INTELIGÊNCIA, NAS MANIFESTAÇÕES E NA HORA DO VOTO.

01/02/2014

O primeiro beijo gay na Globo

O último capítulo de "Amor à Vida", que foi ao ar na sexta-feira 31/01, foi um marco para a Globo e tal do tabu do beijo gay.



Na verdade, não sei ao certo o que levou a emissora enrolar tanto para exibir um simples beijo. Se era medo de ser criticada por preconceituosos ou simplesmente era para conseguir um pico de audiência, o que importa é que finalmente aconteceu. Não foi lá aquele beijaço, mas tal selinho já indica o começo da "Revolução Global", e foi muito importante para a comunidade LGBT.

Em contrapartida, não preciso nem pesquisar ou ir afundo para saber que líderes religiosos fundamentalistas e outras correntes religiosas já estão se manifestando negativamente para com tal cena. Os defensores da "moralidade e dos bons costumes" já arrumaram um prato cheio para destilar suas opiniões recheadas de ódio e preconceito.

O que eu não entendo é essa preocupação excessiva com os homossexuais, como se eles fossem a grande ameaça da sociedade. Assuntos viáveis como corrupção, política, segurança, saúde, educação e respeito não ganham tanto destaque como a amor entre duas pessoas do mesmo sexo ganha. Isso é, no mínimo, hipócrita. Quando o amor choca mais do que a perda de uma pessoa provocada pela violência, ou do que o descaso da saúde e educação pública, é sinal que os valores estão, de fato, invertidos.

A alienação religiosa é tão grande, que os muitos religiosos abrem mão do amor ao próximo. Ignoram o princípio de liberdade do ser humano, de que cada um é livre para seguir a religião/doutrina que quiser, e, se a sexualidade fosse escolha, ter a sexualidade que quiser. É inútil utilizar nossas ideologias religiosas para julgar ao outro.

E antes de dizer "Eu tenho o direito de ser contra a homossexualidade", estude, pesquise sobre o assunto. Não fique só na teoria "Deus fez homem e mulher...", busque entender cientificamente a homossexualidade. Converse com homossexuais. Não podemos criticar aquilo que não conhecemos. E esses discursos preconceituosos de "homens da fé" não são conhecimento algum. Como a própria palavra diz, são pré-conceitos.

Voltando à novela, tenho de parabenizar o autor Walcyr Carrasco, não só pela coragem, mas também pelo ótimo capítulo final. Apesar da novela como um todo, ter sido fraca, cheia de incoerências e furos de roteiros, o final foi belíssimo e emocionante. Carrasco acertou em cheio ao fazer a conclusão que o público queria, bem à moda novelão. (Confesso que não ando vendo novelas, assisti os 3 primeiros meses de "Amor à Vida", mas depois só voltei a ver na última semana, pois ficou praticamente indigerível ver as forçadas de barra e situações insuportáveis). Ressalvo a cena da morte de Aline, que foi caricata ao extremo.

Como homossexual, foi muito importante e tocante para mim, ver o beijo gay entre Niko e Félix. Mais importante ainda, foi ver que o amor e o sofrimento juntos venceram o preconceito que o pai tinha pelo seu filho gay. Uma linda redenção. Um final que ficará marcado pela história.

03/01/2014

Crítica: O Nevoeiro, de 2007.

                       
Avaliação: ✪✪✪✪
Título Original: The Mist
Ano de Produção: 2007
Direção: Frank Darabont
Roteiro adaptado de Stephen King
Elenco: Thomas Jane, Marcia Gay Harden, Laurie Holden, Andre Braugher, Toby Jones.


Se existe algo que sempre questionei em minha vida é sobre a racionalidade humana. Nas aulas de ciências aprendi que o homem é o único animal racional. Cientificamente pode até ser verdade, mas na vida percebemos o quão tal afirmação é enganosa e por isso nunca concordei com meus professores. Se o homem é um ser racional, ou seja, usa a razão, por qual motivo a humanidade precisa de leis para que a convivência em sociedade tente ocorrer da maneira mais civilizada possível? Por qual motivo é tão difícil o homem criar uma personalidade própria, buscando conhecimento muito além do que é vendido pelo governo e pela mídia? Por qual motivo é tão difícil ao homem respeitar às diversidades alheias (étnicas, sexuais, religiosas, etc)?

São por esses questionamentos pessoais que devo ter gostando tanto de "O Nevoeiro". O roteiro adaptado do mestre Stephen King, conhecedor exímio não só do suspense em si, mas também dos instintos e valores humanos, é conduzido por Frank Darabont, este que a transforma em uma obra que mescla entretenimento com conteúdo, ambos com uma ótima qualidade. Não se poderia esperar algo diferente desta união entre Darabont e King que já tinha rendido obras-primas como "Um Sonho de Liberdade" e "À Espera de um Milagre".

- As pessoas são boas. Somos uma sociedade civilizada
- Claro. Contanto que as máquinas funcionem e o 190 atenda. Tire isso, deixe tudo mundo no escuro e assustado e as regras se vão. 

Ao confinar pessoas de diferentes credos e ideologias em um supermercado após um nevoeiro misterioso acometer o lugar e sem nenhum meio de comunicação, o filme explora ao máximo a natureza sombria do ser humano. O medo e o encarceramento dessas pessoas servem como metáfora para a própria vida em sociedade. Afinal, saímos de nossas casas com medo de sermos assaltados, assassinados ou de sofremos acidentes, uma vez que o nosso mundo é cercado de mistérios e perigos. Ainda mais com os jornais, rádios e programas de TV contribuindo para aumentar essa sensação de pânico, noticiando sempre violência e mais violência. O mundo em si é um palco de terror. E o mundo é representado no filme pelo tal "nevoeiro".

Após descobrir que nesse nevoeiro estão criaturas alienígenas, o pânico fica ainda maior. O medo da morte faz florescer os mais variados comportamentos naquele grupo de pessoas. Enquanto uns se unem e buscam na confiança ao próximo e na esperança meios de sobreviverem, outros passam a ter atitudes mais monstruosas do que a própria ameaça externa. Um exemplo disto é a religiosa fervorosa Carmody (Marcia Gay Harden, espetacular por sinal, ofusca até mesmo o protagonista de Thomas Jane), que explora o medo das pessoas para aliená-las. Carmody, de uma simples coadjuvante, passa a ser uma autoridade divina para o grupo, ao associar os acontecimentos às passagens bíblicas, convencendo uma grande parte dessas pessoas que tudo aquilo é culpa da perversão humana e que todos estariam pagando caro pelos seus pecados. Conquistando a confiança desse grupo graças às coincidências dos fatos, Carmody passa a ser intocável, comandando julgamentos e decidindo quem deve sofrer punições ou não. (Qualquer semelhança com a vida real não é mera coincidência). Sim, a maioria das pessoas busca a religião por medo do desconhecido e o texto do filme reflete isso brilhantemente.
O mais interessante é que Darabont faz toda essa profunda reflexão ser, ainda, uma obra de entretenimento. O clima de suspense muito bem dirigido pelo diretor nos faz ficar com os olhos pregados na tela e nos sentirmos dentro de todas aquelas situações. Por mais que o roteiro tivesse conteúdo, não seria muito difícil o transformar em algo intragável nas mãos de um diretor qualquer.

Quanto ao desfecho, muitos torceram o nariz, o considerando como desnecessário. Já em minha opinião, não achei apenas fantástico, mas também necessário para a complexidade da obra. Darabont acertou em se manter fiel à obra literária de King, pois dar um final feliz diminuiria e muito o impacto geral do filme. Ao transformar a figura, até então heróica, de Drayton em ruínas, que apesar de toda sua coragem e determinação pela sobrevivência, acaba perdendo suas esperanças juntamente com o combustível do carro que guiava seu grupo, a história ganha um ponto final memorável. É com essa mensagem que nunca podemos perder nossa esperança (esta a qual é abordada como tema principal em suas adaptações anteriores de King), que Darabont fecha seu perturbador e ousado filme de terror, onde o ser mais aterrorizante é o próprio homem e seus medos.

Obs.: Para mim, a parte mais genial e perturbadora do filme é quando um dos militares presentes no supermercado acaba revelando que o governo estudava a existência de seres extraterrestres e que haviam aberto um portal entre a Terra e o mundo desses tais seres, o que acabou gerando tal fenômeno. Nessa altura a fanática Sra. Carmody já tinha “alienado” a grande parte das pessoas e ordenou que o militar fosse punido de acordo com suas interpretações das escritas sagradas, como se ele fosse o único responsável pelo acidente, de acordo com as escrituras sagradas. Com certeza, uma das maiores críticas do fanatismo já abordadas pelo cinema. 



26/10/2013

Crítica: Os Suspeitos (2013)


Avaliação: ✪✪✪✪

(Prisoners, 2013, EUA. Direção: Denis Villeneuve. Com Hugh Jackman, Jake Gyllenhaal)

Quando li a sinopse de "Os Suspeitos" confesso que torci o nariz. Motivos não me faltavam: quantos filmes sobre sequestros de filhos já foram feitos? E o quanto tal gênero anda saturado, carente de trabalhos mais profundos?

Mesmo assim, pela falta de opções atrativas em cartaz, resolvi comprar o ingresso. E acabou sendo o melhor investimento "cinematográfico" que fiz em 2013. Me surpreendi positivamente durante os 153 minutos da trama.


Grande parte da força do longa fica para a construção dos detalhes técnicos onde o diretor canadense Denis Villeneuve e toda a sua equipe trabalharam com um primor digno dos suspenses policiais de David Fincher (não é atoa que os críticos americanos encontraram semelhanças com "Seven"). Momentos antes de sabermos que as filhas das famílias Dover e Birch desapareceram, a câmera se aproxima lentamente do tronco de uma árvore em frente a casa onde estavam todos comemorando o dia de Ação de Graças. Tal enquadramento já indica que o clima de suspense irá arrematar todos os espectadores. A fotografia fria e o tempo chuvoso e nevoo contribuem ainda mais com o clima de apreensão.

Só esse fato de conseguir envolver o público com a investigação do desaparecimento das crianças já determinam a competência da produção. O foco na parte psicológica dos personagens, conduzida de maneira tangível pelas ótimas interpretações dos atores envolvidos determinam que "Os Suspeitos" seja mais do que competente, mas sim essencial para os apreciadores do gênero.

Hugh Jackman está incrível na pele do protagonista Keller Dover. Seu personagem não é fácil, uma vez que foge do padrão comum: Dover se desespera com toda a situação, mas sua conduta é tão humana e real que o faz passar muito longe de ser o habitual bom moço. Dover busca justiça com suas próprias mãos quando acha que a polícia não será capaz de resolver o caso. Age por instinto, cai na bebida, tem condutas falhas. Apesar de toda a complexidade exigida, Jackman demonstra uma habilidade ótima e em nenhum momento faz seu personagem cair em qualquer esteriótipo. Jake Gyllenhaal tem aqui a sua melhor atuação na pele do Detetive Loki. Assim como o personagem de Dover, seu papel é aprofundado. Loki não é apenas um detetive, ele é humano, tem seus anseios e instintos. Esse aprofundamento em sua parte psicológica também contribui e muito com a qualidade do filme. As atuações coadjuvantes também são fundamentais. Paul Dano na pele de Alex Jones é perturbador, desde a sua primeira aparição. Principal suspeito na concepção de Dover, Jones é um jovem conturbado, calado e misterioso, fatores que jogam todos contra ele.

Outro fator a se destacar é o desenvolvimento da trama. Quando Loki passa a investigar cada suspeito, cada casa, observamos a riqueza de detalhes nos ambientes e em cada pessoa, o que deixa o público ainda mais nervoso e confuso para a resolução do crime.

<b> A partir do parágrafo abaixo, recomendo que leiam apenas os que já assistiram o filme. </b>


Uma das partes mais perturbadoras do filme é quando Loki entra na casa de um dos suspeitos e encontra, em um dos cômodos, várias malas grandes jogadas ao chão. Impossível não ter um ataque de nervos e se colocar na pele do detetive. A cada mala aberta o coração começa a palpitar mais forte. As cobras dentro delas revelam o quão psicótico é o suspeito e junto com toda a ambientação da casa, como os labirintos desenhados por todas as paredes criam um cenário apavorante. Essa parte, pelo menos em minha concepção, é o melhor momento da fita.

Quando Dover captura Jones, quem ele julgou como suspeito, e o passa a torturar, temos uma noção do quanto o diretor foi feliz na realização deste longa. Uma simples atitude foi o suficiente para abrir uma interessante discussão sobre a psicologia e valores do ser humano. Há quem julgou Dover como tão cruel quanto o sequestrador de sua filha e há quem se colocou no lugar do personagem e se viu tendo a mesma atitude e, consequentemente, fazendo uma autoanálise.

A única ressalva fica para uma das cenas do ato final. Quando a filha da família Birch reaparece e é internada no hospital, ao ver Dover na sala, ela o olha desesperada e indaga: "- Foi você que colocou aquelas mordaças na gente!". Ao observar a conclusão da história, essa passagem se torna sem confusa, uma vez que não foi Dover o autor do rapto das meninas. Seria um delírio da menina por estar sedada ou foi apenas uma tentativa de criar mais um nó na cabeça do público? Se a resposta foi a segunda opção, então a intenção do diretor se saiu gratuita e desnecessária.

Mesmo assim, "Os Suspeitos" pode ser considerado uma ótima surpresa em vários aspectos: para quem não esperava mais um grande filme estrear no circuito em 2013, para quem leu a sinopse e não esperava coisa boa (assim como eu) e para quem estava à espera de um suspense policial digno, o que não acontecia há um bom tempo. Mais do que um filme, é uma prova que o cinema pode ser bem melhor quando é rico em detalhes.
Quanto ao diretor Villeneuve, este pode ter um grande futuro. Basta apenas ter boa vontade e não deixar se influenciar pelos cacoetes de Hollywood.

Avaliação: 8.5/10.0


25/08/2013

A liberdade de expressão unilateral cultuada na escória de uma sociedade doente

Nada me dá mais nojo do que palavras lançadas ao vento, com raciocínio vago ou inexistente.

No post anterior, mencionei que já tinha me desgastado bastante tentando debater de forma inteligente com preconceituosos, machistas e homofóbicos. Cheguei a conclusão que pedir inteligência desse tipo de pessoa é querer demais.

De fato, ando apenas observando as pessoas se passarem por ridículas e ainda ganharem aplausos.

Frases que se contradizem mencionadas de maneira tão natural e pretensiosa que convencem muita gente.

"Não posso nem dar minha opinião contra gays. Isso é ditadura gay!"

Nada mais ignorante que tal indagação. Essas pessoas defendem a liberdade de expressão para manifestarem contra algo que não conhecem, mas essa mesma liberdade não é válida para os gays tentarem se defender! Se alguém defende com argumentos a causa gay, é tido como gayzista, ditador, etc. Ué, mas que direito de opinião unilateral é esse? Quem, na verdade, é o opressor nessa história?

Resumindo: boa parte das pessoas que defendem essa história de opinião, só gostam de utilizar tal argumento por conveniência. Elas podem usá-la para atacar ao próximo, mas não aceitam que o próximo a utilize como defesa.

Será que a inteligência anda tão ausente assim em nosso mundo?